Roteiro: a Ilha de Avalon na Inglaterra

by Priscila Moraes
Wednesday 11 July 2018

Marion Zimmer Bradley baseou-se em escritos antigos para criar As Brumas de Avalon. Nos registros de quase 900 anos atrás, fala-se sobre a Ilha de Avalon, hoje Glastonbury, para onde Morgana teria levado Rei Artur. Siga a rota, abra caminho entre as brumas e boa jornada.

Glastonbury, a ilha de Avalon

A jornada começa com a chegada a Glastonbury, uma cidadezinha peculiar do interior da Inglaterra, a 2 horas de Londres. O que nos traz aqui? Os escritos antigos.

Os primeiros relatos sobre Rei Artur, Merlin e Morgana vieram do clérigo Geoffrey of Monmouth, nos anos 1100. No registro, ele escreve: "O que agora é conhecido como Glastonbury foi, em tempos antigos, chamado de Ilha de Avalon. É praticamente uma ilha, pois é completamente cercada por pântanos". Mas Glastonbury não é uma ilha, certo? Hoje não, mas foi, no passado. Até hoje os campos em seu entorno precisam ser drenados quando chove.

A esotérica cidade de Glastonbury, na Inglaterra

À primeira vista, Glastonbury parece ser uma cidadezinha normal. Na rua principal, uma infinidade de lojas esotéricas. "É mais fácil comprar bolas de cristal do que camisetas por aqui", me disse uma vez uma sacerdotisa. E é verdade.A realidade em Glastonbury parece ser outra. Aqui, assim como em As Brumas, é necessário abrir os olhos da alma para enxergar o que está além da 'cidade dos padres'. A verdadeira Avalon não está no ver, mas no sentir. 

Os templos da Deusa

Chalice Well, o Poço do Cálice

Glastonbury é um convite à meditação. Para entrar neste universo mágico, comece pelo Chalice Well, o Poço do Cálice. Esta é a sagrada fonte d'água usada pelas sacerdotisas em As Brumas, e também o espelho por onde a Senhora do Lago acessava suas visões. O Chalice Well é sem dúvidas um dos santuários mais especiais de Glastonbury. Sentar em seus jardins ouvindo o som da água e dos pássaros, observando o Tor à distância é realmente mágico. Apenas entregue-se e ouça as mensagens que Avalon traz para você.

Chalice Well, o Poço do Cálice em Glastonbury

Aos pés do Glastonbury Tor (a colina sagrada de Avalon) o Chalice Well protege uma fonte de água avermelhada, rica em ferro. Não a toa representa o princípio feminino. Surpreendentemente, do outro lado da rua fica a White Spring, a Nascente Branca, considerada a água do princípio masculino. Acredita-se que ambas nascentes brotam do centro da colina sagrada. As composições químicas de uma são o contrário da outra - um verdadeiro convite à integração dos opostos.

Para ampliar ainda mais o seu contato com o Sagrado Feminino, siga para o Goddess Temple, um santuário mantido por sacerdotisas e aberto ao público. A entrada é gratuita.

As ruínas da Abadia e o túmulo de Rei Artur

As ruínas da Abadia de Glastonbury

Hora de visitar o túmulo de Rei Artur na Abadia de Glastonbury, no centro da cidade. É fácil imaginar aqui o grande movimento de monges, como lemos em As Brumas de Avalon. E foram eles, os monges que nos anos 1190 anunciaram ter encontrado o túmulo de Rei Artur e Guinevere. Antes mesmo que a ciência pudesse provar, tudo foi destruído - inclusive a própria abadia, na dissolução dos monastérios. Mas ainda é possível ver o local onde o túmulo foi encontrado e saber mais sobre este lugar sagrado, considerado um dos berços do cristianismo na Inglaterra.

A chegada de José de Arimatéia 

A colina Wearyall Hill em Glastonbury

O motivo pelo qual a Abadia prosperou tanto na antiguidade é porque acredita-se que José de Arimateia, tio de Jesus, foi até Glastonbury. Quando desembarcou, fincou seu cajado no topo da colina Wearyall Hill (foto) e disse que ali fundaria a sua igreja. Segundo a lenda local, ele trazia consigo Maria Madalena e o Santo Graal, depositado no Poço do Cálice.

Colina Wearyall, o espinheiro sagrado e o Tor

O cajado deu origem ao Holy Thorn, o espinheiro sagrado. Uma espécie que não era originária da região. Ele costumava florescer duas vezes ao ano - uma delas no Natal. Mas após um ato de vandalismo em 2010, o Holy Thorn perdeu suas folhas. O tronco permanece lá, enfeitado pelas fitinhas que chegam de todos os cantos do mundo. 

Glastonbury Tor, a colina sagrada

Dominando todo o horizonte de Glastonbury está o Tor. A colina de formato ovalado, com suas misteriosas 'camadas' formando um labirinto é o ponto alto da cidade. É lá que as sacerdotisas de As Brumas de Avalon celebram o Beltane e tantos outros rituais sagrados. Mas para entrar em Avalon não basta subir a colina. É preciso senti-la, em cada passo que der. Suba com calma. Pare para contemplar. Segundo a mitologia celta, este é um dos portões de acesso ao reino das fadas. Permita-se sentir esta conexão.

E o Tor é mesmo cheio de mistérios. Estúdos radiestésicos comprovaram uma grande concentração de energia no local. Segundo os autores do livro The Sun and The Serpent, que mapeia pontos sagrados da Inglaterra relacionando-os com vórtices de energia da Terra, no topo da colina do Glastonbury Tor, duas linhas energéticas se cruzam; são as linhas de ley. Uma é a linha de Maria, do princípio feminino. A outra é a linha de São Miguel Arcanjo, do princípio masculino. Este encontro formaria o chacra cardíaco do planeta.

Há alguns anos, sentí o chamado para ir a Avalon e saí transformada. Desde então, sempre torno a voltar. Se você gosta das lendas arturianas, se encantou-se com As Brumas de Avalon, este é o seu lugar.

Escrito por

Priscila Moraes

Há mais de 8 anos Priscila se dedica a explorar cada cantinho da Grã-Bretanha. Apaixonada por mitologia celta e história britânica.

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